sexta-feira, março 25, 2005

Algo que fiz hoje, não reparem se não gostar... sei lah... ahahah eh algo que saiu de mim.....

Visão real da vida

Vejo o vento acariciando as folhas
Sinto a liberdade inexistente
Vejo a vida, tudo inconseqüente
E o derradeiro filho da vida
Sente que o sol brilha às batalhas

E o cavaleiro da morte luta
Qual demônio, encerre a disputa
Ora onde estou eu nessa matança
Me perdi por’entre minha’ndança
Sou o nada, porém sou o todo

O amor e a vida estão gastos
Até a morte, outra face da bela estrela
Vê que no fim da longa jornada
Estão os sonhos, toda destroçada
A vida, a dor e o amor foram-se
Embora, embora que a dor ainda seja sentida

A saudade da nostálgica aurora
O alvorecer de cada batalha
A luz tomou-me a mente
E repito, tudo inconseqüente
Onde pode estar a nostálgica aurora

Dane-se à metafísica, morto
Parta para a inexistência
O que é Deus sem a ciência
Deite sobre o fio da navalha
E desperte sob uma mortalha

Cansei-me da beleza poética de Camões
Álvaro de Azevedo é melhor para mim
Não receie a morte do desconhecido
Não tema o desconhecido
Quem sabes, tu não és o guardião de Hermes

Levante os olhos e veja a lua cheia
Levantando-se para reinar enquanto tua raça chora
Ora, onde estas você, defenda-te
A vida não pode-lhe tirar a morte
Apenas a morte pode lhe tirar a vida

Brinque com a loucura
Não seja outra abelha
Nem se quer outra ovelha
Vista-se de cordeiro e viva lobo infame
Brilhe sua luz, apague o que te cerca

Ora, onde foi parar a métrica
Se foi com a ampliação de meu sentido
Foi-se, extinguiu-se como quem
Vai para não voltar
Finalmente estou liberto

Não deixe levar-te a filha
Protege tua raça, tua casta
Seja uno, pois não pode ser trino
Diga não ao despotismo
E cria a ditadura da liberdade

Nem mesmo o maior obreiro
Conseguirá fazer com que a vida
Não lhe açoite em 1º de janeiro
Devemo-nos libertar dessa maldição
A fim de que só ganhemos com a idade
Devemos cicatrizar, e estancar o sangue da chibata

Humanitas! Onde estás?
Não te vejo em mim
Não me espelho em ti
Não sou anal a ti
Humanitas, onde estou?

Talvez Borba esqueceu de
Humanitas destruiu Humanitas
E criou-se o princípio do fim da criação
Onde está a lógica disto?
Está na dualidade do ser, todos devemos morrer

Expanda-me ao infinito
Onde tudo é finito
Onde tudo já foi escrito
Antes mesmo de ser dito
Leve-me ao infinito para ser feito

Esqueça-se da vida
Esqueça-se da morte
Esqueça da existência
Crie tua ciência
Não ligue se estás vivo ou morto

Absorva-te, crie-se
“Há um tempo para viver
Há um tempo para morrer
É o hora de encontrar o criador” 1
Morra e tenha medo da morte

Ou viva e tenha medo da vida
Tenha medo ou não existirás
Esta é a fatalidade da vida
Ou da morte, quem sabe
Qual face da existência estamos.... se estamos

Flávio Sales Truzzi

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1 - Um pedaço adaptado de uma música do Iron Maiden

quinta-feira, março 24, 2005

Princípio

Bem, aqui estou eu em frente ao meu computador, Flávio, mas sou Pirunga, antes de tudo. Digo que aqui , neste blog, serão postados assuntos dos mais variados tipos, desde filosofia e física à hermetismo e ordens.
Sou um curioso nato. E tudo o que é Sophia me interessa. Sou então um filósofo, e não um sofista. Mas o que isto tem a ver com o assunto de hoje... Nada.... Encerro esta digressão queridos leitores. E, para começar bem:


Poema Negro - Augusto Dos Anjos

Para iludir minha desgraça, estudo.
Intimamente sei que não me iludo.
Para onde vou (o mundo inteiro o nota)
Nos meus olhares fúnebres, carrego
A indiferença estúpida de um cego
E o ar indolente de um chinês idiota!

A passagem dos séculos me assombra.
Para onde irá correndo minha sombra
Nesse cavalo de eletricidade?!
Caminho, e a mim pergunto, na vertigem:
¿ Quem sou? Para onde vou? Qual minha origem?
E parece-me um sonho a realidade.

Em vão com o grito do meu peito impreco!
Dos brados meus ouvindo apenas o eco,
Eu torço os braços numa angústia douda
E muita vez, à meia-noite, rio
Sinistramente, vendo o verme frio
Que há de comer a minha carne toda!

É a Morte ¿ esta carnívora assanhada
¿ Serpente má de língua envenenada
Que tudo que acha no caminho, come...
¿ Faminta e atra mulher que, a 1 de janeiro,
Sai para assassinar o mundo inteiro,
E o mundo inteiro não lhe mata a fome!

Nesta sombria análise das cousas,
Corro. Arranco os cadáveres das lousas
E as suas partes podres examino. . .
Mas de repente, ouvindo um grande estrondo,
Na podridão daquele embrulho hediondo
Reconheço assombrado o meu Destino!

Surpreendo-me, sozinho, numa cova.
Então meu desvario se renova...
Como que, abrindo todos os jazigos,
A Morte, em trajos pretos e amarelos,
Levanta contra mim grandes cutelos
E as baionetas dos dragões antigos!

E quando vi que aquilo vinha vindo
Eu fui caindo como um sol caindo
De declínio em declínio; e de declínio
Em declínio, com a gula de uma fera,
Quis ver o que era, e quando vi o que era,
Vi que era pó, vi que era esterquilínio!

Chegou a tua vez, oh! Natureza!
Eu desafio agora essa grandeza,
Perante a qual meus olhos se extasiam...
Eu desafio, desta cova escura,
No histerismo danado da tortura
Todos os monstros que os teus peitos criam.

Tu não és minha mãe, velha nefasta!
Com o teu chicote frio de madrasta
Tu me açoitaste vinte e duas vezes...
Por tua causa apodreci nas cruzes,
Em que pregas os filhos que produzes
Durante os desgraçados nove meses!
Semeadora terrível de defuntos,
Contra a agressão dos teus contrastes juntos
A besta, que em mim dorme, acorda em berros
Acorda, e após gritar a última injúria,
Chocalha os dentes com medonha fúria
Como se fosse o atrito de dois ferros!

Pois bem! Chegou minha hora de vingança.
Tu mataste o meu tempo de criança
E de segunda-feira até domingo,
Amarrado no horror de tua rede,
Deste-me fogo quando eu tinha sede...
Deixa-te estar, canalha, que eu me vingo!

Súbito outra visão negra me espanta!
Estou em Roma. É Sexta-feira Santa.
A treva invade o obscuro orbe terrestre.
No Vaticano, em grupos prosternados,
Com as longas fardas rubras, os soldados
Guardam o corpo do Divino Mestre.

Como as estalactites da caverna,
Cai no silêncio da Cidade Eterna
A água da chuva em largos fios grossos...
De Jesus Cristo resta unicamente
Um esqueleto; e a gente, vendo-o, a gente
Sente vontade de abraçar-lhe os ossos!

Não há ninguém na estrada da Ripetta.
Dentro da Igreja de São Pedro, quieta,
As luzes funerais arquejam fracas...
O vento entoa cânticos de morte.
Roma estremece! Além, num rumor forte,
Recomeça o barulho das matracas.

A desagregação da minha idéia Aumenta.
Como as chagas da morféa
O medo, o desalento e o desconforto
Paralisam-se os círculos motores.
Na Eternidade, os ventos gemedores
Estão dizendo que Jesus é morto!

Não! Jesus não morreu! Vive na serra
Da Borborema, no ar de minha terra,
Na molécula e no átomo... Resume
A espiritualidade da matéria
E ele é que embala o corpo da miséria
E faz da cloaca uma urna de perfume.

Na agonia de tantos pesadelos
Uma dor bruta puxa-me os cabelos, Desperto.
É tão vazia a minha vida!
No pensamento desconexo e falho
Trago as cartas confusas de um baralho
E um pedaço de cera derretida!

Dorme a casa. O céu dorme. A árvore dorme.
Eu, somente eu, com a minha dor enorme
Os olhos ensangüento na vigília!
E observo, enquanto o horror me corta a fala,
O aspecto sepulcral da austera sala
E a impassibilidade da mobília.

Meu coração, corno um cristal, se quebre
O termômetro negue minha febre,
Torne-se gelo o sangue que me abrasa,
E eu me converta na cegonha triste
Que das ruínas duma casa assiste
Ao desmoronamento de outra casa!

Ao terminar este sentido poema
Onde vazei a minha dor suprema
Tenho os olhos em lágrimas imersos...
Rola-me na cabeça o cérebro oco.
Por ventura, meu Deus, estarei louco?!
Daqui por diante não farei mais versos.