Crescimento ou decrescimento, pulos e pulos, passos e passos.
Com o tempo e o espaço pouco a pouco
Transformei-me na antítese de minha síntese
Antes criança, e quantitativamente cresci
Até que tornei meu estado crítico, e qualitativamente mudei
Subi de qualidade, de menino em homem,
Um dia de homem em velho, talvez
De velho em sábio, de sábio em palavras
De sábio em pó, de pó em lembranças
De lembranças em esquecimento
Mas neste processo dialético me perdi
E não me achei, estou no vale,
no vale onde não sei se sou criança ou homem
homem ou velho, velho ou sábio, sábio ou pó
não sei se sou lembrança ou esquecimento
Não tenho a rigidez vivida por Kant
Nem mesmo sei se ainda faço parte
Da essência de mim mesmo
Ou se parti, ou se me parti
Mas algo se mantém nestas transformações dialéticas
Algo sempre se mantém, não sei se é a criança, ou o velho,
ou o sábio (que ainda não fui) ou o sonho, ou o verso, palavra,
medo, não sei o que sou, só sei que sou
ou vou ser o contrário de mim mesmo, eu acho
talvez..., será? Não sei, nem sei mais nada.
