quinta-feira, julho 24, 2008

Viajante das Palavras

Não tenho ironias nem cansaços
Nos meus olhos de menino,
Amargo a paz ansiando a tristeza!
Quero ser poeta! E não vou por ai
Vou por aqui, onde devaneio
perdido em risos
Eu vou por aqui!
Não és louco pobre criança
Mal sabe ler e queres ser poeta
Do jeito que corres devias ser atleta!
Me a atiro se me obrigarem a ser atleta!
Quero ser poeta! Sou poeta!
Atleta das letras!
Mergulho já disse, não me venha com certezas!
Retiro-me daqui à metafísica

Pouco depois, estou aqui
Ei! Não acredito, não me amole!
Saíste à metafísica?
Isto é real!
Não acredita, sei do coelho,

Criança, acorde, ainda falo com você
Eu fui, eu fui!
E para onde?
O Cortiço!
És mais louco que pensavas
Viajarei e das abelhas comerei as favas!
Sou livre, sou humano!

HUMANITAS!
Grita um velho barbado
Me olhando de lado

Droga, estou aqui outra vez
Vendo-te velho, morto
Sem vida, trancafiado em sua segurança
Não responda! Sou criança
Sou navegante sem porto
Sou poeta! Sou vivo, sou torto!
E se choro é por ser triste!
O poeta tem de ser triste! Tudo tende!
Como, zangado, o comediante!
Sou livre, hei de seguir adiante!
Viajarei! Navegarei nas esperanças
e anseios! ANSEIOS!
Não me acostumo a esta lama de esfera!
Não tenho ingratidão, sou pantera
E o sonho é meu companheiro inseparável
Posso ir ao infinito, este é meu amor!
E somente a ele sou atento!
Sempre! Tanto!
O meu pesar é meu contentamento
Não me canso de intertextos
Minha glória é a viajem!
Ando nas cartas sem postagem,
sem destino
De texto em Texto
Não leio, eu crio!
À Fusão!!
Deliraste criança tola!
Que diabos a fusão?
Dos metais meu engenheiro?
Só engenho! Não engenharias!
Somente a matemática da palavra
A lógica de minha dialética,
À Sinestesia!
Vivo a confusão
dos prazeres! Dos prazeres da cabeça
A neurologia da semântica!
Sem sintaxes!
Eu ouvi neurologia?
Irás a Medicina
Sejas médico ou paciente!
Não serei médico
senão dos sentimentos
Psicólogo! Psicologia!
Sou ciente!
Cliente dos livros e sonhos
E advogarei meu direito de ser!
São Francisco! Ao Direito!
Sou criança, poeta,
hei de espalhar meu canto!
Tenho o direito de sê-lo
ouviu bem!?
E quando o sangue me jorrar
aos pulmões, serei pleno!
com direito a tuberculose
como todo bom romântico
E quando meu ômega
chegar me escreverei!
Serei Eterno!
Motorista?
Dirigirei meus leitores à loucura!
A boa loucura!
A liberdade
Serão como eu!
Não terão idade
Livres, sendo eles poetas
Atletas, engenheiros, médicos
Psicólogos, advogados,
Motoristas!
Deixe que sejam livres! Que guiem suas vidas
Sou Poeta, vivo, torto!
Sou viajante sem porto
Sou Poeta, sou louco!
Vou ao infinito
Aos sonhos das palavras!



Por: Flávio S. Truzzi

10 comentários:

-Maiara disse...

Tá muito legal! Augusto dos Anjos, Vinicius... hahaha tá massa! Bem viajado...! hehe Vc sempre se deu muito bem com as palavras, tem que postar mais, rs.
Beijos

Jeferson Torres disse...

Flávio, vc escreve bem, e mais importante do que escrever bem, vc gosta de escrever.
Enquanto o escrever for pra vc um ato de rebeldia, de libertação, não importa se bem ou mal,deixe o julgamento pra terceiros:escreva.

Acho que nesses dois anos que vc parou de escrever, claro que perdeu o costume, mas acho ainda que escreve bem e que deve escrever. E usa a internet mesmo pra publicar o que vc tem.

Nesse exemplo, vc grita aos quatro cantos que é poeta, que não é advogado, médico, é poeta, e me vem uma coisa muito de liberdade.Meu caro, liberdade que se existe, só pode ser encontrada na arte.

Forte abraço e tudo de bom pra ti!

Anônimo disse...

"Não me canso de intertextos"
isso descreve muito bem o seu texto!
hehehe

mas ta muito bom sim

larga a engenharia, vai faze letraS!
hauahuahuah

Anônimo disse...

Oiee! ;**

pirunga disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Intensas indagações pertinentes, atreladas a escolha de um caminho a ser seguido. Belo poema =]

Junior Bonora disse...

fantástico!

não acho que esteja enferrujado...
está usando muito bem vários recursos, sem perder a naturalidade

eu diria que tá com... técnica..

estuda isso, se der sorte, quando morrer alguém mais além de nós aqui no blog valorize muito seu trabalho!
ae acho que a engenharia vai ser só um detalhe tipo, os nosso poetas que nunca foram grandes advogados.....

parabéns, vc tem talento, que pra mim é fruto de esforç oe dedicação..
nao pare dese dedicar, pq tá dando resultado!

aaaaaaaaaabraxxxxxxxxxxx

Anônimo disse...

Muito legal o Blog!!! Parabéns!!

Unknown disse...

Putz, qtos devaneios...
Acho q. ficou bem legal. até queria incluir textos assim na peça, pois eu me cansei dos textos do édipo, acho q. os textos deveriam ser nossos.. vou levar a proposta pro pessoal ^^ e ficaria feliz se a gente conseguisse encaixar algum trecho do seu texto na peça. afinal, a peça é viva!!!
Véio, vc bem deveria colocar esse seu lado meio poeta, meio louco acima do reacionario. Aí, sim.. a gente passaria horas numa mesa de bar convesando sobre nda :)

Anônimo disse...

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